Muitas vezes, focamos tanto em calorias, proteínas e carboidratos que acabamos esquecendo dos pequenos heróis que mantêm a “máquina” funcionando nos bastidores: os minerais. Diferente das vitaminas, que são substâncias orgânicas produzidas por seres vivos, os minerais são elementos químicos inorgânicos que vêm do solo e da água.
Eles não fornecem energia (calorias), mas sem eles, o seu corpo não conseguiria transformar comida em combustível, bater o coração no ritmo certo ou fortalecer os seus ossos. Na prática, nós somos feitos de estrelas e poeira, e os minerais são a prova viva disso em nosso metabolismo.
Para facilitar o entendimento, a ciência divide os minerais em dois grandes grupos baseados na quantidade que precisamos ingerir diariamente. Essa divisão ajuda a entender que, embora alguns sejam necessários em gramas e outros em microgramas, todos possuem um papel crítico na saúde.
O primeiro grupo é o dos Macrominerais. Como o nome sugere, são elementos que o corpo exige em quantidades maiores (geralmente mais de 100mg por dia). Aqui encontramos o Cálcio, o Magnésio e o Potássio. Eles são os pilares da estrutura óssea e do equilíbrio de fluidos.
Já os Elementos Traço (ou microminerais) são necessários em doses minúsculas, mas não se engane: a ausência deles pode causar estragos. O termo elemento traço refere-se a minerais como Ferro, Zinco e Selênio. Eles atuam como chaves mestras para enzimas e hormônios funcionarem corretamente.
Não basta apenas “comer minerais”; o segredo está na biodisponibilidade. Esse termo técnico, que na prática significa a capacidade do seu corpo de realmente absorver e utilizar o nutriente, é o que separa uma dieta eficiente de uma que “passa direto” pelo sistema.
Por exemplo, o ferro presente na carne vermelha (ferro heme) é muito mais fácil de absorver do que o ferro do espinafre. Para melhorar o uso do ferro vegetal, uma dica valiosa que eu sempre recomendo é consumir uma fonte de Vitamina C (como limão ou laranja) na mesma refeição. Isso “abre as portas” das células para o mineral.
Evite também o excesso de café ou chá logo após o almoço, pois os taninos presentes nessas bebidas podem “sequestrar” os minerais e impedir que você aproveite os benefícios da refeição que acabou de fazer.
Na minha análise, a comida de verdade deve ser sempre a primeira opção. Castanhas-do-pará são ricas em selênio, sementes de abóbora transbordam magnésio e o gergelim é uma fonte incrível de cálcio. A suplementação deve ser vista como um ajuste fino, feita preferencialmente sob orientação profissional para evitar o excesso, que também pode ser prejudicial.
Estamos entrando em uma era de nutrição personalizada. No futuro próximo, testes genéticos poderão dizer exatamente qual mineral o seu corpo tem dificuldade em processar. Além disso, a preocupação com a saúde do solo está crescendo, pois solos pobres geram alimentos pobres em minerais. Escolher produtos orgânicos ou de agricultura regenerativa pode ser o caminho para garantir densidade nutricional.
Cuidar da ingestão de minerais é um investimento de longo prazo na sua vitalidade. Ao entender que cada pequena escolha alimentar — como trocar um lanche ultraprocessado por um punhado de oleaginosas — impacta diretamente o funcionamento das suas células, você assume o controle da sua saúde. Lembre-se: o equilíbrio é a chave. Nem falta, nem excesso, apenas o que o seu corpo precisa para brilhar.